Setembro Amarelo

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Setembro chegou. Mês que comemoramos a independência do Brasil; mas é também Setembro Amarelo. É o mês em que voltamos nossa atenção para uma melancolia profunda que está presente em nossa sociedade todos os dias, ato este que é reconhecido mundialmente, onde a cada 35 segundos uma pessoa morre através do suicídio.

Segundo a CVV (Centro de Valorização da Vida), Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, com o objetivo direto de alertar a população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo e suas formas de prevenção. Ocorre no mês de setembro, desde 2014, por meio de identificação de locais públicos e particulares com a cor amarela e ampla divulgação de informações.

Para dar mais ênfase a campanha, em 2015 no Brasil, foi colocada iluminações na cor amarela nos principais monumentos do país, tais como Cristo Redentor/RJ, estádio Beira Rio/RS, o Congresso Nacional e a ponte Juscelino Kubitschek em Brasília/DF, a Catedral e o Paço Municipal de Fortaleza/CE, Ponte Anita Garibaldi em Laguna/SC, e o Palácio Campo das Princesas em Recife/PE.

Outra forma de ajuda que esta se multiplicando a cada ano que passa, é a tatuagem ponto e vírgula, essa tendência teve inicio nos Estados Unidos, com o intuito de mostrar amor e esperança a quem tem tendências suicidas. Na escrita, o símbolo é usado quando um autor pode terminar uma frase, mas escolhe continuar.

Project Semicolon  (“Projeto Ponto e Vírgula”) foi criado justamente para levar adiante histórias positivas de gente que conseguiu escolher seguir escrevendo suas vidas. O relato da australiana Hayleigh, cujo irmão se suicidou 19 meses após a morte de sua mãe, emocionou muita gente.

Veja:

Meu nome é Hayleigh. Tenho 28 anos. Sou de Melbourne, na Austrália. E agora meu coração está partido para sempre. Há quatro semanas uma parte de mim morreu junto com meu irmão, Ben. Meu mundo virou de cabeça para baixo para sempre no domingo, 15 de maio. Tínhamos perdido nossa mãe 19 meses antes. O que mais a vida achou que poderíamos suportar? Quem teria a sorte de assistir a um filme com o irmão antes de ele morrer? Quem teria a sorte de ter “Eu te amo” como as últimas palavras ditas a ele?

Tudo parecia normal quando Ben saiu de casa naquela noite. Ele me disse que iria à casa de seu melhor amigo, Nick, para conversar. Uns 20 minutos depois eu recebi uma ligação de sua namorada, Abbey (eles estavam passando por alguns problemas e Ben estava morando comigo havia 3 semanas), perguntando se eu sabia onde ele estava.

Ele havia ligado para Abbey e se despedido, mas não explicou para onde estava indo. Só contou que estava “no meio do nada”. Eu liguei para meus irmãos e meu pai para passar a informação logo. Depois de cinco minutos, achamos seu celular pelo aplicativo Find my Phone. Abbey, seu irmão mais novo, Jack, Georgia (minha irmã), seu companheiro Grant, Maddi (minha outra irmã) e seu companheiro Brodie, meu pai, sua mulher Lara e eu corremos para o local que o app nos indicou. Todos partindo de suas casas.

Todos esperavam encontrar Ben chorando no seu carro. Honestamente, era esse o tipo sensível de alma dele. Ele havia batido de propósito contra uma árvore perto da fazenda onde nós crescemos. Ben morreu na hora. Saí do carro à luz das sirenes de ambulâncias. Grant me segurou enquanto eu gritava exatamente como vocês veem em filmes. Senti meu corpo entrar em colapso enquanto ele me segurava e eu perguntava se havia alguma coisa que pudesse ser feita pelos paramédicos. Com certeza tinha algo. O garoto caloroso, inocente e atencioso que tinha ajudado a nos unir tinha partido de repente.

Ben tinha 22 anos. Ben trabalhava normalmente. Ben amava seu chefe e seu emprego. Ben estava no terceiro ano do curso de encanador. Ben tinha três irmãs que o amavam. Ben tinha uma família unida. Ben tinha guardado dinheiro o suficiente para dar entrada em uma casa. Ben tinha uma linda filha de um ano e sete meses. Ben estava esperando seu carro novo ser entregue. Ben só bebia de vez em quando. Ben não usava drogas. Ben estava sempre feliz. Ou era o que parecia. Não houve sinais. Nem avisos. Nem bilhete.

Na semana passada eu fiz minha tatuagem de ponto e vírgula porque todos os dias seria fácil escolher me encontrar com meu irmão e minha mãe. Mas eu escolhi não fazer isso. Eu escolhi ajudar a quebrar os estigmas sobre doenças mentais. Se eu ajudar uma só pessoa nesse mundo já terá sido suficiente. Assim sua família não vai ter que acordar todos os dias no inferno que eu e minha família temos que encarar.

Escolhi tentar ajudar as pessoas a entender que está tudo bem em não estar tudo bem. Eu sei que vou encontra-los novamente quando for minha hora de ir para o Céu, mas ainda não. Ainda não.”

Referências Bibliográficas:

Setembro Amarelo

Hypeness

Contioutra



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